Évora_27 anuncia “Lá nas Árvores”, o primeiro projeto de Évora_27 - Capital Europeia da Cultura apresentado ao público

“Lá nas Árvores”, projeto integrado na candidatura de Évora_27, conta com três ciclos de apresentação: em 2025, “Sentir a Terra”; em 2026, “Levantar Voo”; em 2027 “Coexistir, Construindo Futuro”.
“Sentir a Terra” decorre entre 23 e 26 de outubro de 2025 e propõe uma escuta alargada sobre a relação entre a música, o território e a paisagem sonora, com particular foco na ligação ao Alentejo. Ao longo de quatro dias, a música promoverá o encontro entre práticas artísticas contemporâneas e questões ambientais, sociais e identitárias.
O programa inicia-se com O Canto das Sementes que pressupõe dois concertos pelo ensemble DME, cujas peças exploram diferentes formas de relação com a matéria, o tempo e o espaço. O primeiro concerto será dedicado às obras Hematite, de Jaime Reis, que parte da exploração tímbrica inspirada no mineral hematite; Sobre a areia o tempo poisa, de Sara Carvalho, que se inspira no poema “Fundo do Mar”, de Sophia de Mello Breyner Andresen; Melancholia, de Miguel Azguime, e a estreia mundial de Iconographiae, de Valerio Sannicandro, que propõe uma reflexão sobre as formas como representamos e registamos o mundo natural e humano.
O segundo concerto apresenta obras de quatro jovens compositores – Luana Ambrósio, João Ricardo, Yanis Lel-Masri e Cristóvão Almeida – que, sob a tutoria da professora e compositora Sara Carvalho, trabalharam inspirados em temas como a desflorestação ou a poluição nas redes digitais.
O terceiro evento será um Concerto-Conferência dedicado à paisagem sonora natural e ao património imaterial do Alentejo, com a participação do compositor Carlos Marecos e da pianista Ana Telles, que interpretará A Casa do Cravo, para piano e eletrónica. A peça integra gravações de sinos de uma igreja alentejana, excertos de rádio dos anos pós-revolucionários, canções de intervenção e sons associados ao trabalho agrícola, articulando memória histórica, identidade territorial e escuta crítica.
O último dia de atividades começa com um workshop orientado pelo compositor Jaime Reis. Aberto ao público, este momento propõe uma experiência de aprendizagem e experimentação prática, estimulando um olhar criativo sobre o tratamento dos sons da natureza na música eletroacústica.
No mesmo dia, o quarto e último concerto, é inteiramente dedicado à música acusmática. Destaca-se a peça do compositor austríaco Thomas Gorbach, Viola Sylvestris. A obra, centrada sobretudo nas árvores e nos ecossistemas florestais, reflete uma escuta atenta às dinâmicas da vida não humana e ao valor da biodiversidade. Neste concerto haverá ainda a estreia de uma obra da compositora Mariana Vieira, inspirada na paisagem sonora do Alentejo, nomeadamente no som dos chocalhos e serão apresentadas obras selecionadas através de uma Open Call para música, lançada em setembro.
Ainda no dia 26 de outubro, o Coreto do Jardim Público de Évora acolherá uma instalação sonora, com peças acusmáticas escolhidas pela mesma chamada internacional. A instalação oferece ao público uma experiência imersiva, permitindo uma escuta mais atenta às diferentes paisagens sonoras representadas nas obras.
Todas as atividades são de entrada gratuita.
Programa:
23 outubro, 21h00: Concerto O Canto das Sementes I – Auditório do Colégio Mateus d’Aranda;
24 outubro, 21h00: Concerto O Canto das Sementes II – Auditório do Colégio Mateus d’Aranda;
25 outubro, 18h00: Concerto-Conferência Paisagem Sonora Natural e Património Imaterial do Alentejo, com Carlos Marecos e Ana Telles – Auditório do Colégio Mateus d’Aranda;
26 outubro, 10h–13h: Workshop Escutar, Registar, Transformar os Sons das Árvores, com Jaime Reis – Palácio D. Manuel;
26 outubro, 18h00:Concerto Acusmático – Palácio D. Manuel;
25 e 26 de Outubro, 14h00-17h00: Instalação Sonora – Coreto do Jardim Público de Évora.