ACADEMIA DO VAGAR
A Academia do Vagar é um espaço de reflexão e diálogo que promove mensalmente conferências internacionais, encontros, conversas e workshops. Com curadoria de Jacinto Lageira (Universidade de Paris I-Sorbonne) esta é uma iniciativa que coloca o VAGAR no centro de uma nova proposta de futuro para a Europa e o mundo.
2026
Abr - Jun
23.04 | 18h
JOÃO RAPOSEIRA, MARTA CORTEGANO, TERESA PINTO-CORREIA
#7 O Vagar e a Terra - Agriculturas no Alentejo
Teatro Garcia de Resende
CONVERSA
21.05 | 18h
YVES CITTON
#8 O Vagar e a história ambivalente da curiosidade
Auditório da CCDR
CONFERÊNCIA
SINOPSE:
Após ter sido considerada um vício moral (principalmente atribuído às mulheres) desde a Antiguidade até o Renascimento, a curiosidade foi reinvestida como uma virtude epistémica (elogiada nos homens) com o advento da ciência moderna. A partir do ano 2000, novos campos de reflexão emergiram sob os nomes de "Estudos da Curiosidade" e "Estudos da Ignorância". Esta conferência fará um breve panorama dessa evolução de longo prazo, mas o seu objetivo é o de investigar com mais precisão que definição de curiosidade é necessária na era do capitalismo de plataforma e qual o papel crucial que o vagar desempenha nesse contexto. As vicissitudes e virtualidades do estudo serão apontadas como as nossas melhores respostas à curiosidade delegada oferecida pela Inteligência Artificial generativa e pelos Grandes Modelos de Linguagem.
YVES CITTON:
Yves Citton é professor de Literatura e Média na Universidade Paris 8 Vincennes-Saint-Denis, além de codiretor da revista Multitudes. Publicou "Faire avec" (2021), "Contre-courants politiques" (2019), "Médiarchie" (2017), "Pour une écologie de l’attention" (2014), "Renverser l’insoutenable" (2012) e "Mythocratie" (2010). O seu primeiro livro traduzido em Portugal é "A Máquina de Fazer Ganhar as Direitas" (Lisboa, Edições 70, 2026), originalmente publicado em França em 2025.
25.06 | 18h
ANTÓNIO PRETO
#9 Manoel de Oliveira: espaço, tempo, movimento
Auditório da CCDR
CONFERÊNCIA
SINOPSE:
Num discurso sobre "o estado do cinema", que viria a tornar-se referência obrigatória sempre que se fala de slow cinema, proferido por Michel Ciment em 2003, Manoel de Oliveira é um dos exemplos a que recorre para identificar alternativas possíveis ao "fluxo incessante de luzes e cores" de "um cinema regido exclusivamente pelo impulso e pela energia, sem a menor distância crítica" que, sendo dominante, procuraria responder pela aceleração à crescente impaciência das audiências. "Diante dessa falta de paciência, e eles próprios tornados impacientes pelo bombardeamento de som e imagem ao qual são submetidos como espectadores de televisão ou de cinema, um certo número de realizadores – entre os quais, Oliveira – reagiu com um cinema da lentidão, da contemplação, como se quisessem reviver a experiência sensorial de um momento revelado na sua autenticidade." Há, seguramente, pontos de contacto entre a obra de Manoel de Oliveira e alguns dos parâmetros que têm vindo a ser usados para enquadrar teoricamente o que se designa como slow cinema, mas os pontos de divergência não são menos significativos. Aí reside, porventura, o interesse desta aproximação: poderá Oliveira ser considerado um precursor heterodoxo do slow cinema e, nessa medida, contribuir para desestabilizar e expandir essa categoria crítica?
ANTÓNIO PRETO:
Diretor da Casa do Cinema Manoel de Oliveira, Fundação de Serralves. Doutorado em Estudos Cinematográficos pela Université Paris-Diderot – Paris 7, com uma tese intitulada "Manoel de Oliveira: Cinéma et littérature" (2011). Entre 2012 e 2018 foi docente dos cursos de Cinema e Audiovisual da Escola Superior Artística do Porto e da Universidade Lusófona do Porto. Até 2018 desenvolveu projetos como comissário e programador independente, tendo assumido a programação e coordenação editorial da retrospetiva integral Manoel de Oliveira – Grande Plano, Câmara Municipal do Porto e Fundação de Serralves, 2015, bem como o comissariado da exposição Manoel de Oliveira / José Régio – Releituras e fantasmas, Fundação de Serralves e Centro de Memória de Vila do Conde, 2009-2010, entre outros. No que respeita ainda especificamente às publicações centradas em Manoel de Oliveira, produzidas no âmbito da atividade editorial da Casa do Cinema / Fundação de Serralves, são de destacar: "Catálogo Raisonné Manoel de Oliveira" (em parceria com a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, 2024), "Manoel de Oliveira - Ditos e Escritos" (2021), "Manoel de Oliveira – Projetos Não realizados I" (2024), "Manoel de Oliveira e o Cinema Português", "4 volumes" (2023-2025), "Manoel de Oliveira Fotógrafo" (2020) e "Manoel de Oliveira: A Casa" (2019).
Jan - Mar
22.01 | 18h
PEDRO HUSSAK VAN VELTHEN RAMOS
#4 "Ando devagar, porque já tive pressa": o Vagar como proposta política no Brasil.
Palácio de D. Manuel
CONFERÊNCIA
07.02
CATERINA MORONI
Memória coletiva e criação artística site-specific.
Palácio de D. Manuel
WORKSHOP
26.02 | 18h
JORGE ARAÚJO, RAQUEL SOEIRO DE BRITO, RUI LADEIRAS - moderação de Ana Paula Amendoeira
#5 Geografias do Sul.
Teatro Garcia de Resende
CONVERSA
26.03 | 18h
PEDRO G. ROMERO
#6 Chora.
Teatro Garcia de Resende
CONFERÊNCIA-PERFORMANCE
Entrada gratuita.
2025
30.10 | 18h
JACINTO LAGEIRA
#1 Vagar e vagares_Pequena introdução a um grande projeto.
Palácio de D. Manuel
20.11 | 18h
ANTÓNIO GUERREIRO
#2 O vagar, uma tonalidade afetiva idiomática.
Teatro Garcia de Resende
18.12 | 18h
AGNÈS LONTRADE
#3 O tempo livre como paradoxo social. Pensar o skhôlè e o otium hoje.
Salão Central Eborense
Entrada gratuita.